Na última segunda-feira (5), enquanto o brasileiro Gabriel Medina disputava uma vaga na final do surfe masculino, o mar não estava para peixe (ou para ondas) em Teahupo’o, praia onde são disputadas as provas da categoria nos Jogos Olímpicos de Paris.
Em uma bateria considerada frustrante pelo mar calmo demais, Gabriel Medina perdeu a semifinal para o australiano Jack Robinson. Na sequência, disputou o bronze — e, aí sim, deu onda e deu bom para o brasileiro, que terminou os jogos com a medalha no peito.
????♂️ A ausência de ondas e as regras da competição de surfe deixaram alguns brasileiros confusos (e revoltados), o que gerou memes nas redes sociais (veja alguns ao fim deste texto).
???? Mas como se forma uma onda? Por que há prova, mesmo sem ondas surfáveis? E o que aconteceu no dia das finais, adiado duas vezes justamente pelas condições do mar? Para responder a estas perguntas, o g1 consultou João Thadeu de Menezes, doutor em oceanografia e presidente da Associação Brasileira de Oceanografia.
Tanto as ondas mais costeiras — as marolas —, quanto aquelas que se formam mais longe da costa (as mais desejadas pelos surfistas) — os swell — são formadas pelo vento.
“A geração de ondas ocorre simplesmente pela transferência da energia do vento para a superfície do oceano”, diz ele. Mas é preciso entender que, no caso das ondas de surfe, esse vento não ocorre na costa. “Esse vento ocorreu lá no meio do oceano.”
“No oceano, vai ter uma geração de vento, e esse vento vai soprar sobre a superfície [do oceano]. Quando ele começa a soprar, ele vai transferir energia e vai gerar ondas. Quanto mais tempo o vento soprar, quanto mais forte esse vento for e quanto maior for a superfície onde esse vento sopra, maior serão as ondas geradas.”
Daí, como explica Menezes, o swell — ou as ondas boas — costuma chegar em séries. O que aconteceu com Medina é que ele surfou uma onda, mas a série parou. E como a bateria do surfe na competição tem tempo… Não deu.
Ainda que muita gente tenha defendido que é injusto, que a questão envolve a natureza e um tanto de sorte. “Quando a série de ondas está bem estabelecida, normalmente, ela não para como ela parou”, explica Menezes, reiterando que há um fator de sorte envolvido na disputa.
No surfe, há uma regra sobre as baterias: caso nenhum dos atletas pegue uma onda durante os primeiros 10 minutos, o juiz tem autoridade para reiniciar a bateria, voltando o cronometro ao marco zero, como explicado pela World Surf League (WSL). Nos jogos de Paris 2024, essa regra foi extinta.
A expectativa era que as provas acontecessem no último sábado (3), mas as condições do mar em Teahupo’o, no Taiti, onde a competição de surfe aconteceu, levaram a organização a considerar o domingo, que também não se mostrou viável. Restou a segunda, último dia da janela da competição.

